Fonte: Agência Brasil
05/04/2026 - 12h12min
Brasília
O conflito entre Irã e Estados Unidos foi para além dos mísseis e bombas de parte a parte. O Irã intensifica as respostas em uma guerra midiática proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde o começo. O capítulo mais recente, e talvez o de maior tensão até o momento, diz respeito à operação de resgate de um piloto estadunidense em território iraniano, após a queda do caça que ele pilotava, abatido por disparos inimigos.
Donald Trump disse, neste domingo (5), em sua rede social própria, a Truth Social, que as Forças Armadas de seu país resgataram o piloto com vida, embora “gravemente ferido”. “Resgatamos o piloto em plena luz do dia, algo incomum, passando sete horas no Irã. Uma incrível demonstração de bravura e talento de todos!”. Ainda não há, no entanto, fotos ou vídeos desse resgate ou do oficial resgatado.
Como uma resposta às declarações de Trump, a agência de notícias estatal iraniana Tasnin publicou várias fotos de destroços de aeronaves, supostamente norte-americanas. Seriam aeronaves abatidas pelo exército iraniano durante as tentativas estadunidenses de resgate do piloto desaparecido.

As fotos mostram destroços do que parecem ser dois helicópteros. Segundo a Tasnin, foram abatidos dois helicópteros Black Hawk e um avião de transporte C-130. “O porta-voz disse que a operação resultou na destruição de várias aeronaves hostis e descreveu o resultado [da operação] como outra derrota humilhante para os Estados Unidos, traçando paralelos com a fracassada operação Eagle Claw, de abril de 1980”, acrescentou a agência.

Agência iraniana de notícias mostra aeronaves abatidas e nega que piloto estadunidense tenha sido resgatado. Foto: Tasnin News/Divulgação.
Fracasso em 1980
A operação Eagle Claw [garra de águia, em tradução livre] foi uma operação conduzida pelo Exército Estadunidense em 1980 para resgatar 52 reféns na embaixada dos Estados Unidos em Teerã, capital do Irã. Várias aeronaves, entre helicópteros e aviões, foram usados na operação. No entanto, os militares enfrentaram falhas mecânicas e problemas meteorológicos, em uma sequência de revezes que tiraram várias aeronaves de combate. Oito militares morreram na operação, antes mesmo de se aproximarem de Teerã. O resultado cada vez mais desastroso fez o presidente dos EUA na época, Jimmy Carter, concordar em abortar a missão. O fracasso da operação é sempre lembrado e comemorado entre os iranianos.
Edição: Marcelo Brandão.